Início Finanças Corporativas Avaliação de empresas - Conheça o valor do seu negócio

Avaliação de empresas – Conheça o valor do seu negócio

-

O interesse pela “Avaliação de Empresas”, principalmente como uma ferramenta para o incremento do potencial competitivo dos negócios, tem se tornado cada vez mais comum no mundo corporativo. Além de ser um importante suporte aos tomadores de decisão das companhias, a avaliação é um direcionador fundamental para que as decisões da alta administração sejam tomadas com mais assertividade e segurança.

Também é importante destacarmos a aplicabilidade desse tema para os investidores – pessoas físicas do mercado financeiro brasileiro interessadas em investir seu dinheiro em ações, para as quais é fundamental entender a capacidade operacional e de gestão da companhia em que investirão. Cabe destacar o importante incremento que as pessoas físicas geraram na base acionária das empresas no ano de 2019, somando aproximadamente 865 mil novas contas (fonte: B3-Bolsa de Valores).

São inúmeras as técnicas e modelos bem estruturados e teoricamente embasados, entretanto não podemos deixar de destacar o professor Aswath Damodaran, referência em finanças corporativas, autor de vários livros e artigos sobre avaliação de empresas, finanças corporativas e investimentos. Segundo ele, a avaliação de empresas é uma arte.

Nesta série de posts, abordaremos cada tipo de avaliação, iniciando pelo fluxo de caixa para a firma (FCFF) e fluxo de caixa para o acionista (FCFE), ambos ligados à metodologia de avaliação de empresas realizada pela avaliação intrínseca, ou seja, fluxo de caixa descontado.

Avaliação intrínseca: fluxo de caixa descontado

O conceito universal por trás dessa técnica de avaliação é a premissa de que o valor de qualquer ativo é proporcional a sua capacidade de gerar caixa, sendo a consequência dessa geração de caixa numa linha factível de tempo. Assim, o potencial fluxo de caixa com o valor presente é obtido por uma taxa de desconto, com os respectivos ajustes dos riscos determinados nesse investimento.

Ressaltamos que a técnica de fluxo de caixa descontado e suas ramificações nos auxiliam no que deve ser considerado para o cálculo, mas não determina as premissas de projeção.

Desse modo, a técnica orienta, por exemplo, que o resultado operacional (Ebit) seja considerado no respectivo cálculo do fluxo de caixa descontado. Entretanto, não indica como projetar o resultado desse valor, ou seja, não fornece uma metodologia para determinar preço de venda, custos operacionais, quantidades vendidas, deduções de receita, taxas regulatórias, dentre outras métricas. As premissas de projeção devem estar alinhadas com os executivos e a alta administração da companhia.

O que deve ser considerado para a elaboração do fluxo de caixa depende do ponto de vista a ser utilizado na análise. Ambos, Ebit e fluxo de caixa, devem ser projetados segundo uma taxa temporal congruente com a continuidade da empresa e, ao mesmo tempo, aplicar um valor terminal adicionando o risco determinado na data base da avaliação (perpetuidade e taxa de desconto serão tratadas exclusivamente em outros posts).

Fluxo de caixa livre para a firma (FCFF)

Antes de abordarmos cada uma das metodologias, precisamos considerar que para constituir um negócio é preciso exclusivamente investir certa quantia de capital, que pode ser levantado por acionistas, credores ou investidores minoritários, ou todos, se for o caso.

Assim, conseguimos imaginar na metodologia de dois fluxos de caixa: um pelo ponto de vista do acionista, outro pelo dos investidores (credores e acionistas).

Como o fluxo de caixa dos investidores é o fluxo de caixa próprio dos negócios efetuados pela companhia, ele recebe o nome de fluxo de caixa da firma (FCFF), traduzido do inglês free cash flow to the firm.

O FCFF representa a quantidade de caixa remanescente para distribuição aos investidores após pagamento de todos os custos do negócio, investimentos no capital de giro e em ativos de longo prazo, como, por exemplo, aquisição de equipamentos necessários para a manutenção desse fluxo de caixa a ser projetado.

O FCFF é uma boa representação das operações da companhia, considerando que todas as entradas de caixa em forma de receitas, todas as saídas de caixa em forma de despesa e todo o caixa aplicado em atividades para crescimento e investimento na companhia são considerados na metodologia.

Fórmula para a obtenção do FCFF:

FCFF = Nopat + Depreciação – Capex ± ∆ Invest. capital de giro líquido

Importante ressaltar que o FCFF difere da demonstração do fluxo de caixa (DFC), que é parte integrante da demonstração financeira das companhias.

A DFC tem por objetivo apresentar as destinações de caixa e equivalente de caixas que entraram e saíram da companhia em um determinado período. Já o FCFF demonstra o quanto de caixa sobra para a companhia depois de todas as suas atividades operacionais.

Fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE)

O fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE), traduzido do Inglês, free cash flow to the equity, é muito semelhante ao FCFF, entretanto permite visualizar o caixa disponível após todas as operações da companhia.

Assim, esse caixa seria usado para as respectivas distribuições de lucros em forma de dividendos aos acionistas, ou seja, é o valor do fluxo de caixa para a firma deduzido dos respectivos pagamentos de dívidas e emissões de novas dívidas.

Fórmula para a obtenção do FCFE:

FCFE = (Ebit – Imposto operacional) + Depreciação – Capex
± ∆ Invest.capital de giro líquido – Amortizações
+ Novas captações

Essa metodologia proporciona ao acionista uma visão de quanto efetivamente sobra e se a gestão desse lucro está de acordo com suas expectativas.

Adicionalmente, este método de avaliação é usado muitas vezes no lugar do modelo de dividendos descontados (DDM) – falaremos sobre este tema em outro post –, tendo em vista que muitas empresas não distribuem dividendos de forma recorrente, além disso, dividendos em companhias de capital aberto precisam respeitar as destinações mínimas estipuladas pela Lei 6.404/1976, das S/A’s.

Uma análise interessante, empregada por muitos analistas, consiste em utilizar o FCFE para determinar se os pagamentos de dividendos, assim como as recompras de ações são pagas com o fluxo de caixa ou com alguma outra forma de financiamento. O ideal é a utilização completa do FCFE para distribuição de dividendos e recompra de ações.

Considerações Finais

Muitos podem considerar que, após a leitura deste post, ambos – FCFF e FCFE – são relativamente fáceis de se aplicar. Entretanto, o analista ou investidor deve tomar certos cuidados antes de iniciar qualquer tipo de projeção, principalmente quanto a premissas não fundamentadas utilizadas em uma avaliação. Lições aprendidas são importantes em qualquer processo de avaliação de empresas, e aqui apresentamos alguns pontos de atenção que podem auxiliar nesse trabalho:

  1. As premissas utilizadas devem ser amplamente discutidas e alinhadas com os executivos e/ou alta direção da empresa avaliada (Lembre-se de que eles dominam e conhecem o setor em que estão inseridos);
  2. Normas contábeis devem ser analisadas, avaliadas e discutidas.
  3. Atentar para possíveis impactos de benefícios fiscais;
  4. Atenção quanto à perpetuidade e à taxa de desconto a ser aplicada em sua projeção;
  5. O entendimento do mercado em que a empresa alvo da avaliação está inserida e suas tendências são fator preponderante de sucesso nessa avaliação;
  6. Considerar e analisar as taxas de crescimento a serem aplicadas.

Por fim, é interessante observamos que a avaliação de uma mesma empresa por avaliadores diferentes pode resultar em valores díspares. Entretanto, não existe avaliação certa ou errada, mas sim realmente embasada e suportada por informações que corroborem o valor obtido.

Caso tenha restado alguma dúvida sobre o assunto, entre em contato conosco, estamos dispostos a ajudá-lo!

Categorias

Mais populares